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Sexualidade: do Passado ao Presente | Apetite Sexual ®

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A sexualidade é tão importante para a saúde quanto comer, dormir e fazer exercícios. É um relevante indicador de qualidade de vida, manifestando-se em todas as fases da vida do ser humano, e deve ser compreendida a partir de um enfoque dimensional e abrangente, pois ao contrário do imaginário popular, a genitalidade é apenas um de seus aspectos e talvez nem mesmo o mais importante.

Embora cada indivíduo experiencie a própria sexualidade de forma peculiar, pode-se dizer que a vivência sexual é universal e a esmagadora maioria das pessoas é, foi ou será sexualmente ativa. Esse assunto geralmente é associado ao prazer, satisfação, amor, paixão, diversão. Entretanto, para muitos, pode ser fonte de sofrimento, desconforto, conflito, aversão ou indiferença.

Sexualidade: do Passado ao Presente

Este artigo pretende fazer um apanhado geral dos pontos mais importantes relativos à sexualidade humana culturalmente para as dadas épocas e como os conceitos foram mudando ao longo do tempo. Foram eleitos acontecimentos e/ou datas de referência para localizar melhor os períodos mencionados aqui. A primeira época abordada é a Idade Antiga (4000 a.C. a 476 d.C.) e são estudadas especificamente as civilizações dos hebreus e judeus, a Grécia Antiga e a Roma Antiga. Em seguida, trata-­se da Idade Média (476 a 1453). Logo depois, há a Idade Moderna (1453 a 1789), com o Renascimento, a Reforma, a Contra-­Reforma e o Iluminismo. Por último, a Idade Contemporânea (1789 até a atualidade), trazendo a Revolução Francesa, o Vitorianismo e os séculos XX e XXI.

Idade antIga: Hebreus, Judeus, grécIa antIga, roma antIga – de 4000 a.c. a 476 d.c.

Hebreus

Os antigos hebreus (do hebraico, “descendentes do patriarca bíblico Éber”) foram um povo semítico da região do antigo corredor sírio-­palestino e, posteriormente, deram origem aos judeus.

Os hebreus viviam em uma sociedade patriarcal. A mulher ocu­pava um lugar secundário e o homem tinha o poder de mando sobre ela. A função feminina era cuidar da família e jamais permanecer desocupada. A fidelidade era valorizada, mas só no que dizia respeito às mulheres. A contracepção cabia à mulher, caso o tamanho da família precisasse ser controlado.

Judeus

O judaísmo, que foi a matriz do cristianismo, declarou o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo abominável e passível de morte. É importante ressaltar que o termo “homossexualidade” não existia na época. A primeira aparição conhecida do termo “homossexual” im­presso foi encontrada em um panfleto alemão de 1869, publicado anonimamente, argumentando contra uma lei antissodomia prussia­na. Em 1879, Gustav Jager utilizou o termo em seu livro Descoberta da Alma, publicado em 1880. Em 1886, o austríaco Richard Von Krafft­ ­Ebing usou os termos “homossexual” e “heterossexual” em seu livro Psychopathia Sexualis (“Psicopatia Sexual”), provavelmente tomando-­os emprestado de Jager. O livro de Krafft­ Ebing era tão popular entre leigos e médicos que os termos “heterossexual” e “homossexual” tornaram-­se os mais aceitos para designar a orientação sexual.

Para o povo judeu, a masturbação era condenada, uma vez que a lei religiosa judaica impunha que os homens fossem produtivos e se multiplicassem. O esperma era considerado a semente da vida, que possibilitaria manter a linhagem da família, isto é, promover descen­dentes. Por isso, o coito interrompido também não era aceito como método contraceptivo. A virgindade, por sua vez, era valorizada para não haver dúvidas sobre a legitimidade da linhagem familiar.

Pelo costume judeu, quando uma mulher contraía matrimônio, casava­-se com toda a família do marido. Se ela não lhe desse filhos, quando ele morresse seria como se nunca tivesse vivido. Neste caso, a solução era o casamento por levirato: o irmão mais novo do marido falecido deveria casar-­se com a viúva e criar o primeiro filho nascido de ambos como um filho legítimo do morto.

Percebe-­se que havia uma dupla moral nesta civilização: o adulté­rio feminino era punido com morte por apedrejamento, mas o mas­culino era tolerado. Também havia um medo do sangramento menstrual. Neste período, não era permitido à mulher fazer sexo, tocar alimentos ou dar apertos de mão, pois acreditava-­se que ela poderia estar “contaminada”.

Grécia Antiga

A civilização grega tem o poder de nos fascinar até hoje. É um povo marcado pelo intelecto, pela beleza e pela sexualidade. Duas razões levaram os gregos a considerarem o sexo como inerente à atividade humana: atribuíam uma grande importância à beleza e à harmonia, o que os levou à idealização do corpo nu e à sua exaltação nas artes, e seus deuses eram sexuados. Na mitologia grega, o tema sexual é uma presença constante.

Os papéis dos homens e das mulheres eram bastante delimitados. O homem livre era o cidadão por direito. Dominava as mulheres, as crianças e os escravos.

Apetite Sexual, Sexualidade, do Passado ao Futuro, Sexo na Grécia Antiga, Sexo, Pederastia, Iniciação SexualOs gregos exaltavam o “amor” de um homem adulto por um jovem do sexo masculino que já tivesse passado pela puberdade, mas que não tivesse ainda atingido a maturidade, e este fenômeno era deno­minado pederastia. O masculino era valorizado, no que diz respeito ao físico harmônico, à educação e aos conhecimentos filosóficos. Mestres, estudiosos e filósofos eram responsáveis pelo desenvolvimento moral e intelectual dos jovens, tratando­-os com delicadeza, com­preensão e afeição. Era motivo de orgulho para uma família que seu filho homem pudesse conseguir um mestre de prestígio e ascender socialmente. Com frequência, o relacionamento tornava­-se amoroso e sexual.

O estímulo ao contato físico entre homens deve ter sido incentivado pelo hábito de encontros nos ginásios, onde os jovens atenienses praticavam luta livre, corrida, saltos e arremesso de discos ou dardos. Nessas atividades, os homens ficavam nus, usando óleo em seus corpos e finos barbantes que prendiam o prepúcio protegendo a extremidade do pênis.

Apetite Sexual, Sexualidade, do Passado ao Futuro, Sexo na Grécia Antiga, Sexo, Mulheres na Grecia Antiga, Papel da Mulher na Grécia AntigaA mulher tinha uma posição de inferioridade em relação ao homem, intelectual, física e emocionalmente. Era submissa, sujeita à autori­dade absoluta do seu parente homem mais próximo. Era incomum travar conhecimento com algum homem que não fosse o marido ou algum parente.

A mulher tinha como função ser casta e sensata, ser competente em fiar, tecer e costurar, ser capaz de distribuir tarefas adequadas aos empregados, ser econômica com o dinheiro e gerar filhos. Não recebia uma educação formal, sendo educada para a vida familiar. Seu objetivo era ser portadora de filhos (em grego, gyne). Na época, a visão que os homens tinham sobre a mulher grega legitimava a pederastia e as relações entre homens.

Os casamentos eram arranjados mediante alianças políticas. O ca­samento se fazia pela necessidade de herdeiros. O homem casava-se aproximadamente aos 30 anos de idade e a mulher, muito jovem. O grego era monogâmico. Porém, ao homem, e somente a ele, era permitido ter envolvimentos extraconjugais com rapazes, o que era até mesmo valorizado, e também com concubinas e prostitutas. A esposa não acompanhava o marido em viagens ou reuniões sociais, vivia em aposentos para as mulheres em seu lar, raramente fazia refeições com seu marido (principalmente se ele tinha convidados), saía de casa em raras oportunidades e apenas acompanhada.

A satisfação sexual não era um objetivo para a esposa. Apesar das dificuldades, algumas conseguiam consolar-­se com outras atividades: tornavam­-se alcoviteiras. A masturbação feminina era uma espécie de “válvula de segurança”. O casal deveria fazer sexo pelo menos três vezes ao mês, até que houvesse um herdeiro.

Em relação à separação, o marido poderia deixar a mulher por qualquer motivo, o denominado repúdio, porém, a mulher só poderia abandonar o homem por motivos extremos, que não incluíam o adultério nem a pederastia.

Apetite Sexual, Sexualidade, do Passado ao Futuro, Sexo na Grécia Antiga, Sexo, Prostituição, ProstitutaA mulher poderia ocupar três tipos de posição social: esposa, hetera (ou hetaira) ou prostituta. A hetera era culta, bem educada, bela, talentosa, inteligente, treinada na arte social e sexualmente ativa. Era uma cortesã de alto nível. Não se limitava a oferecer serviços sexuais: acompanhava os homens em viagens ou reuniões sociais. Já as prostitutas subdividiam-­se em níveis: pornai (nível inferior) e prostitutas independentes (um grau acima das pornai; trabalhavam nas ruas). Existia um outro tipo de mulher que era a concubina, que tinha parceiro fixo, mas não gozava do prestígio e da independência das heteras, nem da proteção legal das esposas. As concubinas eram uma espécie de “esposas secundárias”.

Os métodos contraceptivos eram pouco conhecidos. Após o sexo, as mulheres costumavam pular para deixar sair o esperma. Acredita­-se que as pornai recorriam ao aborto e ao infanticídio.

As relações homoeróticas eram comuns na civilização grega. Existia a pederastia entre os homens, já mencionada, e a homossexualidade feminina tomava espaço na Ilha de Lesbos, onde a poetisa Safo era diretora de uma academia para mulheres jovens. Este lugar oferecia uma educação feminina mais avançada do que aquela de Atenas. O termo “lesbianismo” surgiu como referência a Lesbos. Safo escrevia poemas sensuais dirigidos às mulheres, encantava-­se por elas e se relacionava com as jovens.

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Ilha de Lesbos – Grécia Antiga

Roma Antiga

A civilização romana possuía uma moralidade objetiva. O sexo era tratado de forma natural. Um dos motivos para tal é que havia uma estreita ligação entre sexo e religião.

Por ser um povo voltado para a guerra, travou contato com outras civilizações, inclusive com a grega. O povo romano assimilou, por exemplo, grande parte dos deuses gregos, contudo, manteve significativas diferenças no que diz respeito à sexualidade: enquanto o comportamento sexual grego não era truculento, o romano apresentava traços de crueldade. Um exemplo disso eram os espetáculos em que casais eram forçados a fazer sexo em frente à plateia do Coliseu.

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Em Roma, as discípulas da deusa Vesta tinham de manter a castidade e zelar para que o fogo que protegia as famílias da cidade não apagasse jamais.

O casamento era uma das principais instituições e seu principal objetivo era gerar filhos legítimos, que herdariam a propriedade e o estatuto dos pais. Por isso, era importante que as mulheres fossem virgens. Os romanos cultuavam a deusa Vesta e as virgens vestais que a serviam eram consideradas capazes de lidar com os deuses e acreditava-­se que possuíam poderes extraordinários. Nas classes privilegiadas, o casamento visava também selar alianças políticas ou econômicas. Para a validade do casamento, não era necessária cerimônia legal ou religiosa. Bastava a coabitação durante um ano e o homem e a mulher eram considerados casados.

Nota-­se que havia uma dupla moral sexual: os homens poderiam ter relações extraconjugais desde que não fossem fixas, ao passo que as mulheres deveriam ser fiéis.

Para o povo romano, havia o divórcio.

Os ritos do casamento romano deixaram legados ao mundo ocidental contemporâneo: anel de noivado, véu de noiva, união das mãos direitas dos noivos, levar a noiva no colo para dentro da casa.

Sexualmente, a mulher estava a serviço do homem. Esperava o desejo dele e tinha o seu prazer se pudesse, sendo que este era, muitas vezes, moralmente criticado. Apenas as mulheres consideradas vulgares partilhavam o dormitório com o marido.

As mulheres romanas tinham um pouco mais de liberdade do que as gregas. Ter filhos e administrar a casa era parte das obrigações, mas não as únicas. As mulheres participavam mais das decisões da família e tinham um papel ativo nos negócios. Tinham uma vida me­nos confinada e podiam acompanhar os maridos em eventos sociais. Possuíam consciência do próprio valor e eram mais autoconfiantes. Gastavam dinheiro, embelezavam-­se, utilizavam ouro, tinturas im­portadas, roupas tingidas, seda e andavam de carruagem. Eram extremamente vaidosas. Atividades religiosas, para as mulheres, sig­nificavam uma fuga do tédio.

Havia a homossexualidade em Roma, mas não com o valor cul­tural que existia entre os gregos. Os homens podiam manter relações sexuais, conforme a norma, com a esposa, com uma amante ou com um escravo (homem ou mulher). Era malvisto ser penetrado por seu escravo, pois indicava desprezo por parte deste. As condutas não eram classificadas de acordo com o gênero, mas sim em termos de atividade e passividade: ser ativo é ser másculo, seja qual for o sexo do parceiro chamado passivo. A pretensa repressão legal da homossexualidade visava, na verdade, impedir que um cidadão fosse penetrado por um escravo. Era importante também respeitar as mulheres casadas, as virgens e os adolescen­tes livres por nascimento.

No que se refere à pornografia, em Pompeia, havia pinturas eróti­cas nas paredes de bordéis e figuras fálicas e testículos nas calçadas, que apontavam o caminho para o prostíbulo. Os bacanais, famosos na história de Roma, eram festas religiosas celebradas em dada época, em homenagem a Baco, o deus do vinho, da ebriedade, dos excessos (especialmente sexuais) e da natureza. As festas não eram uma imoralidade, mas um ato de co­munhão com a divindade.

Quer compreender melhor toda a relação da civilização romana com a sexualidade. Recomendamos que assista ao clássico Calígula (1979) com direção de Tinto Brass, Giancarlo Lui, Bob Guccione e no elenco: Malcolm McDowell, Teresa Ann Savoy, Helen Mirren, Peter O’Toole, John Gielgud.

Idade médIa – de 476 a 1453

O marco inicial da Idade Média é a queda do Império Romano do Ocidente (476) e o marco final é a queda do Império Romano do Oriente (1453). Didaticamente, divide-se em Alta Idade Média, que compreende o período entre os séculos V e X e Baixa Idade Média, que se inicia no século X e perdura até o século XV.

Valores como o poder masculino, a subordinação da mulher ao homem, a superioridade das classes mais ricas, a importância dada à Igreja, dentre outros, caracterizavam o modus vivendi da época.

O ponto preponderante sobre a vida medieval situa­-se no fato de que todos os pensamentos vigentes traduziam-­se na questão religiosa. A Igreja Cristã Primitiva exercia um grande poder sobre a sociedade e a moral era enaltecida, respaldada por ameaças com o fogo do inferno. A moralidade cristã baseava-­se em partes do Antigo Testamento e em todo o Novo Testamento, além das reflexões de pensadores cristãos.

Tendo por base uma população que vivia em condições precárias, em face das guerras, batalhas e doenças, e em que o privilégio de ler e escrever estava restrito aos mosteiros, este contexto tornava as palavras dos religiosos bastante respeitadas, refletindo a moralidade que deveria ser seguida. Entretanto, pode-­se perceber que as ideias dos religiosos denotavam pontos de vista pessoais e preconceituosos sobre a vida e a sociedade. Muito do que o mundo do século XX ainda considerava “pecado” não provinha dos ensinamentos de Jesus ou dos Dez Mandamentos, mas das antigas vicissitudes sexuais de alguns homens.

Outro exemplo de que os valores da época influenciavam o modo de vida da população é o seguinte: como reflexo do individualismo que caracterizou o século XII, na esfera religiosa estabeleceu-­se a ideia de consentimento do casal que se unia em matrimônio, que, até então, se resumia ao acordo entre as famílias dos noivos.

Os leitos medievais acolhiam o marido, a esposa, filhos, amigos, empregados domésticos e até estranhos de passagem. O fato dessas pessoas dormirem juntas não tinha conotação sexual alguma, apesar de ser comum dormir nu. Não havia noção de espaço privado. Na cama dormiam várias pessoas. A casa era pública.

Em relação à subordinação da mulher ao homem, os preceitos da Igreja corroboravam tal ideia. “A literatura sobre os Estados, que definia o papel dos vários grupos na sociedade, declarava explicitamente: ‘As mulheres não podem ter acesso a nenhum cargo público. Devem se dedicar às suas ocupações femininas e domésticas’”. A lei eclesiástica justificava isto com base no Pecado Original.

“A mulher era filha e herdeira de Eva, a fonte do Pecado Original e um instrumento do Diabo. Era, a um só tempo, inferior (uma vez que fora criada da costela de Adão) e diabólica (uma vez que havia sucumbido à serpente, fazendo com que Adão fosse expulso do Paraíso, além de ter descoberto o deleite carnal e o ter mostrado a Adão)”.

Em relação aos pecados, também na sociedade secular havia um duplo padrão moral, que tornava importante o gênero de quem cometia o delito. São Tomás de Aquino declarava que as mulheres deveriam ser mais severamente punidas pelo adultério do que os homens. E acreditava­-se que as mulheres eram mais inclinadas à luxúria e aos excessos sexuais do que os homens.

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Ilustração do século XIV com vítimas da peste negra recebendo como tratamento as bênçãos de um clérigo.

É interessante notar também que a Igreja se valia de acontecimentos de natureza não religiosa para comprovar suas teorias. Por exemplo, a ocorrência da Peste Negra, quando um terço da população da Europa ocidental morreu, foi atribuída pelos comentaristas eclesiásticos e pregadores populares como sendo o julgamento de Deus sobre a humanidade, por causa de suas faltas sexuais.

A partir da Idade Média, a Igreja tornou-­se guardiã dos valores es­pirituais e morais de toda a Cristandade. Tomou, portanto, a iniciativa de especificar que atos sexuais as pessoas poderiam se permitir e de regulamentar onde, quando e com quem o sexo poderia acontecer.

A Cristandade era negativa em relação ao sexo. Os pensadores cristãos encaravam o sexo, na melhor das hipóteses, como uma espécie de mal necessário, lamentavelmente indispensável para a reprodução humana, mas que perturbava a verdadeira vocação de uma pessoa – a busca da perfeição espiritual, que é, por definição, não sexual e transcende a carne. É por isso que os ensinamentos cristãos exaltam o celibato e a virgindade como as mais elevadas formas de vida.

Alguns pensadores cristãos, em especial São Paulo, São Tertuliano, São Jerônimo e Santo Agostinho, refletiram bastante sobre o sexo. Por exemplo, Santo Agostinho, um dos que mais influenciou a formação da moral sexual ocidental, declarou o sexo como repulsivo e acusava Adão e Eva pela existência das relações sexuais, eximindo a culpa de Deus. Apregoava que os órgãos genitais deveriam ser voltados exclusivamente para a meta de procriação, tendo sido este o desígnio de Deus, que havia sido corrompido pela volúpia do desejo carnal. Isto disseminou na população a ideia de que o Pecado Original era igual a sexo. Para Santo Agostinho, o propósito de Deus seria, então, um sexo racional, isento de emoções e tendo como única finalidade a procriação.

São Jerônimo, tradutor da Bíblia para o latim, no século IV, desprezava o matrimônio, valorizando a castidade e a pureza em detrimento do casamento e da procriação. Para ele, a mulher – filha de Eva – é uma pecadora; seu corpo é, para o homem, a tentação e a perdição, portanto, o essencial ao caminho do céu é evitá-­la.
São Paulo, no século I d.C., exaltou o celibato, tolerando o casamento apenas como opção para aqueles que não tinham força para se dedicarem exclusivamente a Deus. Condenava os prazeres da carne, aceitando apenas o necessário para a reprodução. Por outro lado, admitia que era melhor se casar do que se abrasar e defendia a tese do dever conjugal: o marido deveria dar à esposa seus direitos conjugais e, da mesma forma, a esposa ao marido. Quanto à virgindade, o que São Paulo ensinava era baseado em sua opinião pessoal. Pensava que era melhor mantê-­la, para que pudesse se dedicar integralmente a Deus, ainda que quem casasse não estivesse pecando. É interessante sublinhar que o pensamento sobre a excelência da virgindade não tem origem nos ensinamentos de Jesus, mas sim nas formulações morais da época. A homossexualidade também era condenada por São Paulo.

Os teólogos medievais colocaram a noção da dívida no centro da vida sexual dos esposos. “Nos tratados de teologia moral, nas sumas canônicas, nos trabalhos mais especialmente consagrados ao sacramento do matrimônio, é sob o título Debitum – ‘o que é devido’ ou a ‘dívida’ – que encontramos tudo o que diz respeito à sexualidade”. Desse modo, para haver a conjunção carnal, um dos esposos deveria exigir ao outro o pagamento de sua dívida e que o outro a saldasse.

O casamento era visto como uma concessão à fraqueza humana. O sexo não era uma parte integrante do casamento, mas só era aceitável dentro deste, sendo orientado apenas para a concepção. E havia de ser heterossexual. A Igreja tenta criar regras para as posições coitais, só aceitando a do homem em posição superior, e [tenta] mudar as atitudes em relação ao sexo para medo e culpa. Ter filhos era o prazer dos mais amargos. Apenas no fim do século XVI começou-­se a pensar com seriedade na proposição de existir o sexo puramente por prazer.

O coito era proibido nos dias de jejum e festa, durante a menstruação, na quarentena após o parto e durante a gravidez e amamentação.

Como as relações sexuais não tinham outra justificativa além da procriação, todo recurso contraceptivo ou abortivo era culposo. Porém, a partir do século XIV, alguns teólogos passaram a levar em consideração as dificuldades dos casais sobrecarregados de filhos. Pierre de La Palu propôs a relação reservada, isto é, com penetração, mas sem emissão de sêmen. Essa prática conservou partidários na Igreja até o século XX. Pierre de Ledesma sugeriu, no século XVI, uma outra solução: a recusa em saldar o débito conjugal.

Ainda que o prazer sexual fosse condenado, uma vez que era considerado pecado, alguns estudiosos da época questionavam por que Deus teria dado o prazer feminino se este não tivesse alguma utilidade para a procriação da espécie. Galeno, médico e filósofo romano de origem grega, e Aristóteles, filósofo grego, na Idade An­tiga, já questionavam se a semente feminina (expelida no momento do orgasmo) seria necessária à fecundação. O primeiro acreditava que sim, ao passo que o último acreditava ser inútil. Os teólogos me­dievais, pois, concluíram que havia a semente feminina, que esta não era necessária para a concepção de uma criança, mas ajudava muito e tornava a criança mais bela.

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Bordel na Idade Média

Apesar do rigor da Igreja contra o sexo, a atividade sexual masculina pré­-marital e extraconjugal era socialmente tolerada. Assim, a prostituição era um meio de permitir que os jovens afirmassem sua masculinidade e aliviassem suas necessidades sexuais, evitava que se aproximassem de esposas e filhas respeitáveis e afastava-os da prática do estupro e da homossexualidade.

O rei Carlos VII da França autorizou a presença de um bordel em Castelnaudary, em 1445, e a idade mínima para frequentá-lo era 16 anos. Essa autorização deu-se porque os homens somente se casavam por volta dos 30 anos de idade e, antes disto, quando solteiros, precisavam satisfazer suas necessidades sexuais. Esse bordel era frequentado também por sacerdotes, homens casados, judeus, leprosos e clérigos.

É interessante observar que, ainda que a prostituição fosse condenada por alguns membros da Igreja, outros a reconheciam como um mal necessário, como, por exemplo, Santo Agostinho. Este acreditava que a existência dos bordéis possibilitava a manutenção de padrões sexuais e sociais estáveis para o resto da sociedade.

Outro aspecto condenado pela Igreja era a masturbação. No início da Idade Média, era considerada um pecado razoavelmente trivial; mais adiante, assumiu um caráter muito mais grave. Acredita-­se que tal mudança de valor, explicada pelo desperdício de sêmen, era, na realidade, uma preocupação quanto ao declínio da população devido à Peste Negra. Certamente, a Igreja era mais eficaz em seu propósito dando a conotação de pecado à masturbação, pois coibia a prática entre os homens cristãos.

Apetite Sexual, Sexualidade, do Passado ao Futuro, Idade Média, Trovadores, Trovadorismo, AmorNo século XII, surgiu o amor cortês com os trovadores pertencentes à nobreza da Provença. Esse tipo de amor nasceu como uma reação aos costumes feudais. Foi a primeira manifestação de amor como o conhecemos hoje, uma relação entre duas pessoas. O amor os fazia elevar-­se espiritualmente, viver a aventura e a liberdade e respeita­rem-­se. Por ser considerado um dom livremente dado, não cabia no casamento, que era uma espécie de contrato comercial, um negócio de família.

No casamento poderia haver estima, mas não amor. “A virtude era o atributo que isentava esse amor de toda carnalidade. Os trovadores nunca cantavam o amor consumado. A maioria rejeitava claramente todo desejo de possuir suas damas. Exaltavam o amor infeliz, eterna­mente insatisfeito”. O homem desejava apenas ganhar a simpatia de sua dama, lutar por ela e ganhar dela uma palavra de louvor. A visão trovadoresca reverteu a imagem da mulher dominada e desprezada e do homem dominador e brutal.

O início do século XIV foi marcado pelo início da “caça às bruxas”. Acreditava-­se que as mulheres enfeitiçavam os homens. Qualquer acontecimento que não tivesse uma explicação plausível era considerado bruxaria. Frequentemente, atos de conteúdo sexual eram considerados bruxaria.

A “caça às bruxas” ganhou força em toda a Europa, disseminando uma repressão sistemática do feminino. Esse fenômeno teve seu auge nos séculos XVI e XVII, período que compreende o Renascimento, a Reforma e a Contra­Reforma. Surgiu a Inquisição. O Papa Inocên­cio VIII deu plenos poderes aos inquisidores.

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A vítima na Idade Média é a figura da mulher, um combustível alimentado pelo saber que ela acumulara no decorrer do tempo e que representava uma constante ameaça a alguns segmentos da sociedade.

Idade moderna: renascImento, reforma, contra-reforma e IlumInIsmo – de 1453 a 1789 (séculos XV a XVIII)

O marco inicial da Idade Moderna é a queda do Império Romano do Oriente e o marco final é a Revolução Francesa.

Renascimento

O Renascimento, ou Renascença, foi um movimento que surgiu na Itália no século XV e se difundiu por toda a Europa. Durou até o sé­culo XVI. Marcou o fim da Idade Média e o início de uma época em que gradualmente se passou a valorizar o indivíduo e seus desejos, seja na arte, na literatura, ou nas ciências. Houve um movimento de glorificação do homem, denominado Humanismo. O Renascimento trouxe um movimento intelectual de valorização da Antiguidade Clássica, em especial a cultura grega. Significava um resgate de tudo o que havia ficado estagnado durante a Idade Média. Foi funda­mentado pelo antropocentrismo, racionalismo, individualismo e hedonismo. O sexo, portanto, tornou­-se algo mais tangível e realizável.

Em oposição à cultura feudal, o Renascimento foi um movimento cultural que expressou a mentalidade burguesa. As razões para tal acontecimento se relacionavam às novas condições socioeconômicas da Europa no período de transição do Feudalismo para o Capitalismo. O desenvolvimento urbano, comercial e burguês significou um estímulo à produção intelectual. Os burgueses ricos ofereciam proteção aos artistas, o que se denominava “mecenato”.

As prostitutas passaram a poder trabalhar em suas próprias casas. Havia prostíbulos chamados de prostibula publica pertencentes à comunidade. Algumas cidades construíram um prostibulum, que era uma ampla residência. O bordel era arrendado à mulher que o dirigia, a abadessa, que recrutava e vigiava as moças, fazia as regras serem respeitadas e relatava às autoridades as conversas dos clientes desconhecidos, o que a tornava uma importante agente de informações. Em 1494, houve uma epidemia de sífilis por contato sexual na Europa, o que foi considerado pela Igreja um castigo de Deus para punir a promiscuidade. Em 1559, Fallopius inventou um tipo de preservativo, com fins profiláticos, que só veio a ser usado com objetivo contraceptivo no século XVIII.

Os artistas renascentistas registraram o espírito da época pintando obras primas bastante valorizadas até hoje. No Renascimento, a pintura se laicizou, isto é, tornou-­se laica. O corpo do homem passou a ser concebido como um sistema de proporções que figurava, por analogia, a harmonia do mundo. Por­tanto, o nu não era visto como indecência. As obras passaram a ser sexualizadas, rompendo com a religiosidade medieval.

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A pintura “Nascimento do Homem” encontra-se no teto da Capela Sistina, um dos trabalhos mais longos do pintor e escultor renascentista Michelangelo Buonarroti (1475-1564)

A Igreja Católica mantinha como ideais o celibato para padres e freiras e a indissolubilidade do casamento. Porém, vivia uma fase de permissividade, em que era comum os padres terem concubinas e filhos ilegítimos. Os bordéis funcionavam com autorização da igreja. Havia o Bordel da Igreja de Avinhão, no sul da França, destinado somente a cristãos, que proibia a entrada de judeus e pagãos. O Papa Júlio II, no início do século XVI, fundou um bordel em Roma.

A mulher tinha uma imagem contraditória no Renascimento. Ao mesmo tempo em que a dama pura e virtuosa era admirada, a mulher era considerada inimiga da paz, fonte de provocação, causa de disputas e de quem o homem deveria se manter afastado a fim de ter uma vida tranquila. A mulher deveria ser sexualmente passiva e submissa.

O homem era considerado um ser superior, que possuía o discernimento da razão. Havia uma moral rígida, principalmente para as mulheres. O casamento, indissolúvel à época, servia para permitir a procriação sem pecado e para manter o homem fora de problemas sexuais, como a bestialidade (zoofilia) e a homossexualidade.

Os homens casavam-­se entre 24 e 25 anos de idade e as mulheres, aproximadamente, aos 15 anos. Em razão de epidemias e da maior mortalidade feminina, as rupturas de casais eram bastante frequentes e, portanto, as segundas ou terceiras núpcias eram numerosas.

A partir do século XV, lentamente começou a mudar o senso de família. A família medieval, que dispunha de pouca privacidade, foi sofrendo um processo de aburguesamento. Com o surgimento das cidades, o homem passou a ser mais interdependente dos demais, pois cada um tinha um ofício. A economia deixou de ser agrária e o comércio foi intensificado. Novos valores sociais e morais foram cons­truídos. Por volta de 1550, a família começou a se organizar em uma unidade menor, para, então, no século XVII transformar-­se na família constituída de pais e filhos. Porém, a educação escolar ainda era privilégio dos meninos. As meninas continuaram a ser educadas em casa ou na casa de parentes ou vizinhos.

A partir do fim da Idade Média, o senso de responsabilidade frente aos filhos cresceu. O amor paternal ou maternal não era desconhecido antes de meados do século XVIII. No século XVII, os pais eram frequentemente censurados por seu amor excessivo pelos filhos.

Reforma

Quando a Igreja de São Pedro foi construída, foram vendidas indulgências pelo Papa Leão X para a remissão dos pecados. Martinho Lutero, monge agostiniano alemão, insurgiu-se contra isso e liderou a Reforma Protestante. Separou-­se da Igreja Católica e não mais aceitou as doutrinas referentes à indissolubilidade do casamento (este deixou de ser um mal necessário), ao celibato clerical e à virgindade. Era a Reforma, Reforma Protestante ou Reforma Religiosa, em 1517 (século XVI), motivada por questões religiosas, políticas, socioeconômicas e ideológicas. Lutero não negava o impulso sexual e pensava que aqueles que não pudessem viver em castidade deveriam se casar, sem afetar seus deveres religiosos. O sexo extraconjugal, porém, era condenado.

As funções do casamento eram evitar a fornicação, aliviar e facilitar os cuidados e as tristezas das questões domésticas, agradar um ao outro e concretizar o desejo por filhos. A posição da esposa foi valorizada, mas não a da mulher. A esposa era considerada o “anjo do lar” e os filhos deveriam ser obedientes.

Contra-Reforma

Em resposta à Reforma Protestante, a Igreja Católica promoveu a Contra-­Reforma ou Reforma Católica, no século XVI. Foi realizado o Concílio de Trento, de 1545 a 1563, visando reafirmar a doutrina católica, principalmente no que dizia respeito ao sexo e ao casamento.

Foi elaborado um catecismo com toda a doutrina católica (Catecismo Romano), que mantinha as mesmas posições em relação à se­xualidade. A moral tridentina foi adotada por toda a Igreja Católica.

Foi proibida a venda de indulgências e foi criado o Index Librorum Prohibitorum, que era um índice de livros proibidos, por serem consi­derados perniciosos. As obras vetadas abordavam temas como heresia, deficiência moral, sexualidade explícita, incorreção política, dentre outros. O índice de livros proibidos só foi abolido em 1966 pelo Papa Paulo IV.

A Contra-­Reforma defendia a natureza sacramental do casamento, o celibato sacerdotal e a virgindade, que seria mais abençoada que o casamento. Condenava a arte destinada a excitar a luxúria. Houve uma parada temporária dos artistas italianos em relação às obras de nu. Em 1549, Michelangelo foi acusado de ter esquecido a finalidade edificante da pintura e chegou a ser considerado “o inventor da imundície”. O motivo era, principalmente, os corpos nus pintados por ele na obra Juízo Final.

Em contraponto, a idade média dos casamentos aumentou e a diferença de idade do homem e da mulher diminuiu, significando menor submissão feminina. O amor ainda tinha pouca relação com o casamento.

Iluminismo

O Iluminismo, Época da Luzes, Idade da Razão ou Ilustração, promoveu mudanças sociais intensas, derivadas do desenvolvimento intelectual crescente na época. Alcançou maior expressão na França, no século XVIII. Foram redefinidos muitos ideais existenciais, inclusive no que se refere à sexualidade. Obras sobre o amor, a mulher e a moral se­xual foram escritas.

O movimento fundamentou-­se em uma profunda confiança na razão em oposição aos milagres e ao misticismo apregoados pela Igreja. O ser humano foi valorizado como dono do seu destino e, portanto, por ele responsável.

No século XVII, o processo de aburguesamento da sociedade e a modernização provocaram uma maior intimização das emoções. O sexo passou a fazer parte do domínio privado. As casas, que na época medieval eram abertas, passaram a ter muros e quartos pri­vados. A família isolou­-se em sua intimidade. Nessa época, ainda era possível exprimir com clareza o que se desejava ou sentia sexual­mente. Há exemplos dessa linguagem direta na literatura ou nos cantos populares.

São quase inexistentes os documen­tos sobre a sexualidade feminina na Inglaterra do século XVII. Há ínfimas correspondências e diários íntimos que aludem a esse tema. Um motivo para esse fenômeno pode ser a necessidade de as mu­lheres adaptarem-­se aos imperativos da castidade, do recato, da reputação e da honra ligados ao seu gênero. A vida sexual das mulheres, imaginária ou real, jamais foi discutida, a não ser de forma velada, por vias indiretas, de tão forte que era a censura que sobre elas se exercia. Historiadores explicam a castidade exigida das mulheres devido à importância da paternidade que não pudesse ser contestada, uma vez que a sociedade tinha suas bases econô­mico­-sociais repousadas sobre a transmissão patrilinear e no direito de primogenitura dos bens de família.

Restif de La Bretonne
Restif de La Bretonne

Em 1769, Restif de La Bretonne cria a palavra “pornografia” (pornê, prostituída; graphê, escrita), designando os discursos de cunho sexual. Porém, antes mesmo de ter um nome, esse tipo de discurso já existia. É fluida a fronteira entre o erotismo, aceito, e a pornografia, conde­nada.

Na cultura camponesa, a noção do amor existia bem antes do século XVIII. A grande diferença entre o amor camponês e o amor cortês consiste em que neste se fazia a corte a mulheres casadas, sem intenção de consumar o ato carnal, ao passo que os campo­neses faziam a corte somente a moças solteiras, na esperança de um casamento. Porém, uma vez casados, o amor camponês finda­va na maioria dos casos e os rurais passavam a tratar suas mulheres com rudeza.

No século XVIII, a masturbação era considerada moralmente perniciosa. O homossexual masculino começou a ser condenado pelo povo. As ciências da anatomia e da fisiologia descreveram as diferenças entre os homens e as mulheres, chegando à conclusão de que a mulher era mais fraca e seu organismo era predisposto para a maternidade. Por isso, deveria ser protegida, dispensada do trabalho forçado e das preocupações. Tudo isso era compensado pela beleza feminina, que passou a ser exaltada.

Na Medicina, nos primórdios da Psiquiatria, surgiu a classificação da ninfomania em mulheres. A menstruação deixou de ser conside­rada um sangue ruim. Acreditava­-se que, a partir da puberdade, a natureza feminina exigia casamento. Caso contrário, as mulheres estariam sujeitas a crimes e doenças, como a masturbação e a ninfomania. O esperma seria capaz de aquecer a mulher, estimular todas as suas funções e melhorar sua saúde, modificando­-lhe até o cheiro do suor. A frigidez, para os homens, era sinônimo de impotência e, para as mulheres, não tinha importância, pois a falta de desejo e de participação feminina no sexo eram previstos. As mulheres com desejos sexuais chocavam os médicos.

Idade contemporânea: revolução francesa, VItorIanIsmo, século XX, século XXI – de 1789 até a atualIdade

O marco inicial da Idade Contemporânea é a Revolução Francesa, e abrange os nossos dias atuais.

Revolução Francesa

A luta pelo liberalismo promovida pela Revolução Francesa, que durou de 1789 a 1799, terminou por acarretar um conservadorismo. A Igreja estava ligada ao Estado; defendia-­se a tradição valorizando-­se a Idade Média, defendia-­se a família e a propriedade, o Papa voltou a ser uma autoridade pela tradição e havia uma oposição à liberação feminina.

O século XVIII é um grande marco na mudança de atitude no que diz respeito ao sexo. Os jovens começaram a ser educados de modo a dirigir sua atenção para os estudos como forma de canalização da energia sexual reprimida. Os colégios evitavam situações de contato de natureza sexual entre os jovens. A masturbação era combatida. Esse período culminou no Vitorianismo do século XIX.

No século XVIII, durante a industrialização, tanto o homem quanto a mulher da família proletária constituíam a força de trabalho. Em um estágio posterior, ocorreram a fragmentação e a dispersividade do lar, uma vez que a mulher da família proletária ingressou na vida doméstica, e o homem, por sua vez, tendo a fábrica como seu local de trabalho, passou a afastar-­se mais de casa. Deu-­se, portanto, uma cisão mais nítida nos papéis sociais de cada gênero e o advento da organização familiar burguesa.

A família burguesa, nesse momento centrada em torno da dupla conjugal e distanciada funcionalmente da comunidade mais ampla, tornou­-se mais solitária. A partir de então, cresceu a união e a importância relativa entre os membros da família, inclusive entre a dupla conjugal. A família tornou-­se um ambiente cujo espaço psicológico dedicado à circulação de afetos estreitou-­se muito mais, estabelecendo uma expectativa de resposta afetiva reciprocamente muito maior.

À época da Revolução Francesa, as fronteiras entre a vida pública e a vida privada sofreram uma grande flutuação. Houve uma invasão da autoridade pública na vida familiar. Na França, o casamento foi secularizado e a cerimônia, para ser considerada legal, deveria ser realizada na presença de um funcionário municipal. “O Estado definiu os impedimentos à união, restabeleceu e regulamentou o processo de adoção, determinou os direitos […] dos filhos naturais, instituiu o divórcio e limitou o poder paterno”.

O comprometimento para com o casamento vindouro acontecia por meio da entrega de presentes pelo rapaz à moça depois das promessas, como anéis, cruzes em ouro ou prata, monogramas em ouro, vergas em prata e prata dourada, uma bolsa bordada em ouro e prata e outras peças de prataria e até mesmo uma quantia em dinheiro. A entrega de presentes depois do contrato notarial ou mesmo depois do noivado constituía não mais um símbolo, como nos séculos XV e XVI, mas uma caução de suas promessas.

Nos círculos intelectuais do final do século XVIII, a mulher era concebida como designada especialmente para o privado, isto é, a família, e incapaz para o público.

Características como fraqueza intelectual e muscular e sensibilidade emocional tornavam-­na a pessoa mais apta para criar os filhos e gerir o lar. As mulheres não tinham acesso às formas de ensino destinadas às novas demandas do comércio e eram educadas em casa. A Revolução Francesa marca uma regressão no processo de emancipação sexual feminina. Em oposição ao “paradigma do sexo único”, que prevaleceu até o sé­culo XVIII, cria-­se o “paradigma da diferença”, que pressupõe que existe uma relação hierárquica entre os gêneros, em que o homem representa o sexo perfeito e a mulher, o imperfeito. A igualdade entre os gêneros foi negada pela Revolução Francesa.

Nas manifestações de rua e nas plenárias, havia poucas mulheres. Aquelas que recusavam a maternidade eram consideradas loucas e criminalizadas por trocarem a função maternal pelo erotismo. Já os homens eram considerados biologicamente fortes, com maiores capacidades intelectuais, audaciosos e empreendedores, e, portanto, ocupavam o espaço público. Eram responsáveis pelos negócios e empresas familiares. Acreditava-se que o homem e a mulher nasciam para ocupar diferentes esferas e este fato era explicado pelas regras da natureza, pelos costumes e pelas relações sociais. Perante a lei, os maridos eram responsáveis por suas esposas. Apenas as solteiras ou viúvas eram juridicamente responsáveis por si. Pode-se concluir, então, que os preceitos da Revolução Francesa de liberdade, igualdade e fraternidade eram destinados aos homens, e não às mulheres.

A partir do século XVIII, constituiu-­se gradativamente no Ocidente um ideal de casamento que impõe aos cônjuges que se amem, ou que façam de conta que se amam, como dois amantes. O erotismo entrou no casamento. Passou-se a valorizar o amor-­paixão, o amor fortemente erotizado, e as características antigas do amor conjugal foram abolidas e consideradas obstáculos residuais que retardariam o triunfo do amor.

Nessa época, após a Revolução Francesa e a industrialização, tomou forma a ideia de que o casamento deve ser o resultado do amor romântico.

Vitorianismo

No século XIX, época do Vitorianismo, Período Vitoriano ou Era Vitoriana, a sexualidade foi, paulatinamente, deixando de fazer parte da vida. Esse período coincide com o início da expansão da Revolução Industrial e foi o auge da repressão sexual, de fortes tabus, da hipocrisia e do duplo padrão moral.

O indivíduo precisava negar sua sexualidade. As temáticas de culpa, pecado, indecência e imoralidade tornaram-­se frequentes. O pudor e a vergonha regiam os comportamentos. “A sexualidade foi associada à procriação; como consequência, foi rejeitada toda atividade destinada apenas ao prazer, inclusive a atividade pré-conjugal.

No século XIX, diferentemente do que acontecia nos séculos XVII e XVIII, exprimir abertamente necessidades sexuais era sinal de corrupção moral. A hipocrisia apareceu no século XIX sob os aspectos mais diversificados e foi praticada por grupos maiores e mais influentes.

A mulher, participante da então recém-surgida família burguesa, teve uma importante restrição em sua faixa de atuação social. Desviou-­se de maneira quase exclusiva para o lar, responsabilizando-­se pela organização da casa e a criação dos filhos. Esse contexto doméstico era acompanhado de um comportamento em relação à sexualidade que era marcado pela indiferença e pela passividade. As mulheres tratavam seus maridos como deuses e apreciavam serem cortejadas, mimadas e consideradas frágeis e vulneráveis. Eram “anjos de pureza” que distraíam seus maridos da realidade rude e cruel do mundo dos negócios. O desejo sexual era desconhecido para uma mulher virtuosa. Seu marido não deveria impor seus desejos animais a ela além do necessário. Era inconcebível a atividade sexual pré­-conjugal, com “desperdício de emoção” (paixão), destinada ao prazer, ou durante a gravidez ou o período menstrual. O sexo somente era aceito dentro do casamento e para fins de procriação.

O sexo com prostitutas era considerado menos perigoso do que com a esposa. Os homens achavam que prestavam um favor às esposas desviando os seus instintos para as prostitutas. Com isso, o número de prostitutas aumentou.

A mulher, quando adoecia, fazia consultas médicas na presença de uma acompanhante e indicava em uma figura o ponto em que sentia dor. Somente em casos extremos era permitido o exame ginecológico, sob o lençol, em um aposento escurecido.

Mulheres Operárias Revolução Industrial Apetite Sexual
Mulheres Operárias

Com a ascensão da classe média, as mulheres aspiravam libertar-­se das tarefas domésticas. Um indício de sucesso era ter criados que fizessem o trabalho doméstico para elas. Já as mulheres de classe baixa tornaram-se operárias com a Revolução Industrial e recebiam menos que a metade do salário de um homem, desempenhando as mesmas tarefas e tendo a mesma quantidade de horas de trabalho.

A sexualidade, no século XIX, tem seu centro na família, dentro de um rol de regras e normas administrado por ela. Duas sexualidades eram merecedoras de mais atenção: a do adolescente, que vive uma crise de identidade considerada perigosa, e a das mulheres, de modo a evitar desgraças. A sexualidade feminina era controlada pela Igreja, que dispunha de uma série de práticas e proibições que visavam proteger a virgindade das mulheres solteiras e a fidelidade das casadas. O adultério do homem era amplamente tolerado, exceto em casos de concubinato e quando ocorria no domicílio familiar.

Apesar de nesta época já haver a possibilidade de escolha do parceiro sexual, motivada pelo amor romântico, a mulher, que havia se libertado da imposição do casamento por interesses financeiros, ainda não tinha conquistado o direito ao prazer sexual. “Sua sexualidade prestava-­se muito mais a atender aos desejos do homem do que aos seus, apagados, que ficavam sob o manto espesso do desempenho de suas funções maternas.

No começo do século XIX, o discurso sobre a homossexualidade oscila entre duas hipóteses: para os tradicionalistas, é uma perversidade; para os modernos, é uma doença. Para esses autores, o tabu sobre a homossexualidade perdurou até a metade do século XX.

Um fato curioso é que o banheiro foi criado por volta de 1880. Sendo o local mais secreto da casa, a pessoa poderia realmente se ver, despida dos corretivos que geralmente usava (cinta, espartilho, peruca, dentadura etc.).

Anti-masturbador Idade Média
Artefato anti-masturbador datado do ano de 1880

A masturbação era duramente condenada, e o controle era feito por pais, padres e médicos. Até 1914, contra a masturbação era recomendado o uso de bandagens sob medida para os rapazes e cintos de contenção para as moças. O orgasmo feminino sem a presença de um homem era intolerável.

Especialistas consideram o século XIX como a idade de ouro do sacramento da penitência, à luz do catolicismo vigente. O exame e a confissão eram condições fundamentais para a salvação. Dessa forma, os jovens eram afastados da perdição, os adultérios eram prevenidos e os divórcios, evitados.

É interessante notar o duplo padrão moral vitoriano: o discurso era repressor e moralista, mas por trás dele havia atitudes diferentes. A pornografia cresceu, em forma de textos e poemas. A prostituição aumentou. De modos escusos, observava-se uma sexualidade tórrida.

Na segunda metade do século XIX, houve um aumento crescente de pessoas que desejavam uma convergência entre a aliança e o amor, o casamento e a felicidade. Isso se deu uma vez que, nessa época, a escolha social do cônjuge era objeto de estratégias por parte das famílias. Era comum as pessoas se casarem com alguém socialmente semelhante a elas. É importante lembrar que os casais de que se fala aqui são heterossexuais; homossexuais e celibatários eram excluídos socialmente.

O amor romântico modificou o ordenamento da confissão e exacerbou as reações devidas à vergonha.

O amor físico dominava o romance e a poesia. A linguagem da sexualidade delimitava sonhos e ordenava as condutas. A palavra “sexualidade” só surgiu em 1859 – talvez em 1845 – e designava, então, apenas o(s) caráter/caracteres do que é sexuado.

No final da década de 1850, os médicos denunciaram com vigor o “onanismo conjugal”, a felação ou “coito oral” e o “coito anal”. Como contracepção, os mais ricos utilizavam o condom (preservativo) feito de intestino de carneiro, enquanto os operários acreditavam que fazer sexo de pé, dentre outras técnicas, evitava o risco de gravidez. No final do século, praticar propositadamente a contracepção significava contrariar as determinações dos confessores e da maioria dos médicos.

Houve uma epidemia de doenças “venéreas”, hoje denominadas doenças sexualmente transmissíveis. Os médicos desconheciam que a sífilis e a gonorreia eram doenças distintas. Achavam que gonorreia era o estado inicial da sífilis e acabavam tratando ambas com mercúrio. Fez-­se necessário, portanto, o controle dessas doenças, por meio de um decreto que instituía o registro e a inspeção médica das prostitutas. Porém, a sociedade vitoriana posicionou-­se fortemente contra. O decreto foi revogado e a prostituição voltou à clandestinidade.

Em 1879, foi descoberta a bactéria da gonorreia. Os homens passaram a procurar prostitutas virgens, que estariam isentas da doença. Surgiram, então, bordéis especializados em virgens.

A homossexualidade como prostituição surgiu como consequência da prostituição feminina. Em Paris, alguns homens se vestiam de mulher e usavam seios falsos feitos de pulmões de ovelhas fervidos e depois modelados. A sodomia virou crime previsto em lei, sob pena de morte.

Distinguiu-se o que era um comportamento sexual patológico, que foi classificado em desvio, perversão ou parafilia (transtornos de preferência sexual). O “homossexualismo” foi qualificado como um desvio. A palavra “homossexualismo” caiu em desuso, por identificar uma classificação médica desviante. O termo evoluiu para “homossexualidade” e, no final da primeira década do século XXI, para “relações homoeróticas ou homoafetivas”.

Richard Von Krafft­ Ebing publicou o livro Psicopatia Sexual
No final do século XIX, em 1886, Richard Von Krafft­ Ebing publicou o livro Psicopatia Sexual, que foi rotulado como “a bíblia dos pornógrafos”.

Em 1870, o advogado austríaco Sacher ­Masoch começou a publicar contos e novelas sobre homens e mulheres que precisavam que lhes infligissem dor. Surgiu o termo “masoquismo”. A partir de 1893, Breuer e Freud estudaram a histeria.

Freud, na virada do século XIX para o século XX, chocou a sociedade vitoriana ao propor a teoria da psicanálise, que postula a existência do inconsciente, o desenvolvimento psicossexual do ser humano e a teoria da libido. Freud foi especialmente criticado por afirmar existir uma sexualidade infantil.

O início do século XX traz modificações no que diz respeito à sexualidade, decorrentes da expansão do mercado, do aumento da produção e da intensidade do consumo. Trem, bicicleta, automóvel e telefonemas promovem a circulação de pessoas, objetos e informação.

No período de 1871 a 1914, quando ocorreu a Segunda Revolução Industrial, surgiu uma nova concepção de mulher, provocando a reação social por ameaçar os homens na sua identidade.

As mulheres fizeram reivindicações, começaram a ter direito à educação e assumiram profissões que antes lhes eram proibidas. Porém, apenas a partir do século XX, mais especificamente em sua segunda metade, a mulher conseguiu assumir sua sexualidade.

Século XX

O início do século XX é marcado por mudanças sociais e sexuais importantes, sobretudo para as mulheres.

Foi descoberta a cura para a sífilis e a gonorreia. Freud, em 1905, publicou Três Ensaios sobre a Sexualidade. O sexo deixou de ser responsabilidade de moralistas e teólogos para ser da área clínica, da saúde. A obra de Freud teve grande repercussão na sociedade da época. O termo “controle de natalidade” foi cunhado em 1914 por Margaret Sanger, dona da primeira clínica especializada em plane­jamento familiar dos Estados Unidos.

Com medo das doenças, durante a Primeira Guerra Mundial, o governo norte­-americano ordenou que todos os bordéis situados a menos de 8 km das bases militares fossem fechados. Já na Alemanha, o Alto Comando concluiu que a abstinência sexual era perigosa para o moral das tropas e foram criados bordéis militares.

Em 1920, Charles Chaplin espantou os Estados Unidos durante seu processo de divórcio, sendo acusado de praticar cunilíngua (sexo oral) em sua esposa.

Na França da década de 1930, mesmo nas famílias ricas, tomava-­se banho uma vez por semana. A descoberta do próprio corpo poderia estimular toques sexuais ou despertar o desejo de conhecer o corpo do outro. Era um mundo repleto de odores. Nos meios rurais, uma pessoa sabia que a mulher estava menstruada apenas por se aproximar.

O cinema teve seu auge nas décadas de 1930 e 1940. Hollywood reforça a ideia de casamento, símbolo máximo do amor romântico. Por outro lado, a censura norte-americana proibiu que seus filmes abordassem o “homossexualismo”, o divórcio, o aborto, a prostituição, a contracepção, as “doenças venéreas”, dentre outros temas.

Em 1932, a mulher brasileira teve direito ao voto com o Código Eleitoral Provisório. Porém, o código permitia apenas que mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria pudessem votar.

O pós­-guerra, a partir de 1945, significou um grande marco em relação à sexualidade. Questionamentos foram feitos e abriram caminho para a Revolução Sexual. Com o homem na guerra, a mulher pôde conquistar o mercado de trabalho. Porém, essa vida profissional durava do colégio até o casamento. Surgiu, nesta época, um comércio específico: cosméticos, roupas, joias baratas, salões de dança, casas de chá, cinemas, salões de beleza, dentre outros, para absorver o breve poder de compra das mulheres.

O casamento era importantíssimo para a mulher e, quando não dava certo, os casais tentavam manter a união a todo custo. A separação e o divórcio eram considerados um escândalo. Havia preconceito contra mulheres desquitadas. Muitos casais permaneciam juntos por causa dos filhos, além de evitar a vergonha da separação.

Na década de 1950, radionovelas, telenovelas e fotonovelas reforçavam a crença de que o destino da mulher estava no lar, sustentavam a imagem do casamento como objetivo natural da mulher e reafirmavam a imagem do “príncipe encantado”. Era o ápice da vida romântica.

Houve um fenômeno chamado baby boom – um grande número de nascimentos que caracterizou uma explosão populacional, que durou mais de dez anos após a guerra, aproximadamente de 1945 a 1955.

A família “neo burguesa” distanciou-­se da família do final do século XIX, especialmente no que se refere à inovação e ao modernismo. A mulher neo burguesa, ao mesmo tempo em que conseguia reivindicar e sustentar o prazer orgástico, já não se saía tão bem como antes na resolução de seus problemas relativos à maternidade. A sexualidade penetrava cada vez mais no domínio público. Passou-­se a falar dela com menos embaraço e sua importância era, ao menos, verbalmente reconhecida.

Nessa época, o cinema e alguns jornais mostravam progressivamente cada vez mais a nudez e, em 1967, apareceu o primeiro jovem nu na publicidade.

No mundo que, prioritariamente, era rural até o século XIX, não havia a questão estética da postura reta. O modelo de magreza, portanto, impõe-se das classes mais abastadas para as menos favorecidas. O modelo da mulher magra e lisa foi uma criação das elites sociais.

Os primeiros estudos em Sexologia surgiram na Europa, ainda sob forte influência da Medicina. Alfred Kinsey estudou hábitos sexuais e publicou estudos sobre o comportamento sexual masculino, em 1948, e feminino, em 1953, e para estas pesquisas utilizou­-se de métodos quantitativos. Fez descobertas espantosas para a época, sobre temas como prostituição, infidelidade, “homossexualismo” feminino e masculino, masturbação, zoofilia, dentre outros. Esses achados divergiam fortemente do ideal de amor romântico hollywoodiano.

No pós-­guerra, os estudos de psicologia evoluíram e a Psicanálise foi mais bem aceita, porém, ainda era mal-compreendida.

Revolução Sexual 1960Com a inserção da mulher no mercado de trabalho, a estrutura familiar deixou de ser patriarcal. Passou-­se a questionar crenças e valores relativos à sexualidade. Os papéis sexuais começaram a ser discutidos. A mulher reivindicou direitos na sociedade, lutou pelo voto, mudou seu vestuário para minissaias, questionou a virgindade, o aborto e o casamento. Ideais de beleza masculinos e femininos e ideais de amor romântico foram veiculados no cinema e pelos meios de comunicação. As jovens obtiveram maior liberdade sexual. Um maior número de pessoas assumiu-se homossexual.

Na década de 1960 houve a Revolução Sexual, alimentada pelas mudanças em curso na década de 1950. Entretanto, ainda existia uma dupla moral. A esposa, de certo modo, continuava submissa ao marido e vivendo uma ignorância sexual.

Em 1956, Gregory Pincus e seus colaboradores desenvolveram o primeiro contraceptivo oral eficaz, a pílula anticoncepcional, que passou a ser comercializada a partir da década de 1960. O sexo foi, então, desvinculado da procriação.

Como resultado do baby boom, no final da década de 1960 e início dos anos 1970, surgiram os adolescentes rebeldes, que lutavam contra a ortodoxia monótona política, social e sexual de seus pais. O movimento hippie de contracultura propunha o amor livre, a nudez em público, a homossexualidade, o aborto. Os lemas eram “faça amor, não faça guerra”, “paz e amor” etc.

Em 1966, ressurgiu o feminismo em busca de direitos iguais aos dos homens. Cresceu o número de divórcios na América do Norte.

Masters e Johnson publicaram, em 1966, A Conduta Sexual Hu­mana, após um longo trabalho de laboratório, iniciado em 1950, no qual estudaram a resposta sexual humana. Os autores, em Ina­dequação Sexual, de 1970, publicaram o primeiro manual de terapia sexual, no qual propuseram uma terapia para tratar disfunções se­xuais. O mito do clitóris como homólogo do pênis foi destruído. O mito da diferença entre os orgasmos do clitóris e da vagina, pro­posto por Freud, também foi desfeito.
Esses pesquisadores relataram que, na década de 1950, seus pa­cientes eram homens preocupados com seus fracassos: “impotência”, “ejaculação precoce” (denominações da época, que hoje têm o nome de “disfunção erétil” e “ejaculação rápida”, respectivamente), dentre outros. A partir da década de 1960, um grande número de mulheres os consultavam devido à dificuldade em obter um orgasmo. Na década de 1970, as pessoas perceberam que as capacidades sexuais dos indivíduos eram desiguais e, portanto, o casal passou a buscar a harmonia sexual. Após a Revolução Sexual, o homem sentiu-se responsável pelo prazer da sua parceira.

Enquanto isso, a Igreja Católica mantinha sua posição contra todos os meios artificiais de controle de natalidade. A sexualidade ainda era tratada com conservadorismo. Na década de 1970, entretanto, a sociedade passou a tratar da contracepção como um assunto privado.

O divórcio foi instituído oficialmente no Brasil em 1977. A instituição “casamento” entrou em crise, pois já não era mais obrigatório mantê-lo até o fim da vida. Homens e mulheres divorciados vivenciaram novos conflitos após o divórcio, pois precisavam reconstruir aspectos importantes de suas vidas, como a área amorosa e sexual.

A virgindade tornou­-se um tema controverso: as moças sofriam a repressão da família para mantê-­la e o grupo de iguais apoiava a perda da virgindade.

A nudez passou a ser comum no cinema e em revistas. Os meios de comunicação alardeavam discussões sobre sexualidade. As feministas lutavam pelo direito ao aborto.

Swing Troca de Casais, Apetite SexualNo final da década de 1970, o swing, ou troca de casais, chegou à classe média do Ocidente. Festas e clubes para adeptos foram organizados. Desenvolveu­-se nos Estados Unidos, impulsionado pela revolução sexual recente, porém esse costume já acontecia em outras culturas, como a dos esquimós, na China antes da Revolução Cultural, no Tibete, na África e no Havaí.

Em 1978, nasceu o primeiro bebê de proveta. Antes já havia sido possível, com a pílula anticoncepcional, fazer sexo sem procriar, agora era possível procriar sem fazer sexo. Foi a separação definitiva entre sexo e procriação.

No final de 1979, surgiu a AIDS, doença sexualmente transmissível que causou impacto na sexualidade humana, pois obrigou as pessoas a reverem seu comportamento sexual durante os anos 1980 e as décadas seguintes. Fez-se necessário um processo de educação sexual. A AIDS teve início no grupo de indivíduos jovens homossexuais do sexo masculino, acarretando preconceito e discriminação. Após a primeira fase, a AIDS passou a poder afetar qualquer pessoa que se expusesse ao sexo sem preservativo ou usasse drogas injetáveis. A expressão “grupo de risco” perdeu o sentido e foi criado, na década de 1990, o conceito de “comportamento de risco”. A AIDS trouxe consigo estigmas relacionados à sexualidade, ao gênero, à raça e à pobreza. Porém, a nova face da AIDS apontava o contágio de mulheres heterossexuais e de idosos, muitas vezes casados. O preconceito para com a doença acaba induzindo à negação e à crença de que “isso nunca vai acontecer comigo”, o que leva ao contágio. O conceito de “comportamento de risco” traz à tona discussões sobre fidelidade e infidelidade.

O preservativo, popularmente chamado de “camisinha”, tornou­-se indispensável ao “sexo seguro” veiculado pela mídia e as empresas lançaram modelos com texturas, cores e sabores.

Movimento LGBT, Gays, Apetite SexualO Movimento GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) tomou forma e cresceu rapidamente.

Surgiu o fenômeno da “amizade colorida”: amigos que fazem sexo sem compromisso. Na década de 1990, o fenômeno chamado “ficar” pode ser considerado uma releitura da “amizade colorida”. O “ficar” foi criado originalmente nos anos 1980, entre jovens da classe média urbana brasileira. É uma espécie de relacionamento afetivo-sexual que pode durar pouco tempo e que não demanda fidelidade. Também pode caracterizar relacionamentos sexuais sem compromisso. O “ficar” pode ir do beijo na boca ao sexo, sem qualquer tipo de cobrança de continuidade da relação ou exclusividade.

Deu-­se a explosão da “indústria do prazer”, com o surgimento de termas, saunas, motéis, sexshops (lojas que vendem produtos eróticos), literaturas, filmes, turismo sexual etc. O sexo ganhou espaço na mídia. A idade dos símbolos sexuais diminuiu. A internet tornou­-se um veículo para descobertas eróticas e amorosas. Chats (salas de bate-papo) viraram espaço de marcação de encontros, sexo virtual, parafilias e outros.

Do latim prostituere, “expor em público”, a palavra “prostituta” designa a mulher que deixa de ser um “bem privado” e é oferecida a quem paga. Com a boneca inflável de vagina, chegou-se à reifi­ação total da mulher pública.

O amor ainda era a condição de êxito do casamento. Os cônjuges, apaixonados, tornavam­-se um só, motivo que os levava a muitas sessões de terapia de casal. Aumentou nas sociedades ocidentais o número de jovens que vivem como casais heterossexuais sem serem casados.

Apetite Sexual, Sexo, Viagra, Ejaculação Precoce, Impotência SexualDiscutia-se a “potência sexual”. Foram colocados no mercado medicamentos que facilitam a ereção, como o Viagra (citrato de sildenafila).

A Declaração dos Direitos Sexuais foi aprovada no XV Congresso Mundial de Sexologia, em Hong Kong (China), em agosto de 1999, pela Assembleia Geral da World Association for Sexology (WAS).

Em 1994, o jornalista britânico Mark Simpson criou o termo “metrossexual”, neologismo que significava a junção de “metropolitano” e “heterossexual”. Esse conceito, popularizado em 2002, definia o homem urbano heterossexual preocupado com a aparência.

A partir da segunda metade do século XX, começou a surgir um panorama que se caracterizava pelo fenômeno de exibição da intimidade, isto é, a própria exposição voluntária daqueles aspectos da vida que antes concerniam à intimidade pessoal mais secreta de cada sujeito. Porém, certos dados pessoais, como os financeiros e os comerciais, continuavam a ser protegidos, como é característico do modo de vida capitalista.

Houve uma evolução em que se passou de uma atitude antissexual (característica do Vitorianismo) para uma atitude pró-­sexual, o que resultou na emancipação sexual de algumas camadas sociais. O comportamento sexual tornou­-se cada vez mais livre de preconceitos e visava à aceitação da sexualidade plena, não limitada ao genital ou à procriação.

Século XXI

A sexualidade no século XXI inicia-­se com um ideal de perfeição. Homens e mulheres desejam ter corpos perfeitos e um desempenho perfeito na cama. Frequentemente, buscam uma vida sexual inatingível e acabam frustrados.

A estética da magreza é característica da nossa sociedade, que considera a gordura “ruim” e a obesidade “vulgar”. Tal estética é determinada pela mídia, que força as mulheres (e também os homens) a seguirem dietas e fazerem ginásticas.

Ainda existem estereótipos sexuais masculinos: “a sexualidade masculina não precisa ser aprendida” (um homem não tem dúvidas sobre sexo, apenas faz sexo); “em sexo, como em tudo mais, o desempenho é o que vale” (a tríade ereção, penetração e ejaculação é a meta); “o homem sempre deseja e deve estar disposto ao sexo” (independentemente do momento, da parceira, ou de seus próprios sentimentos); “sexo é sinônimo de coito” (sexo mesmo, só se houver penetração; o resto é preliminares), dentre outros. Tais estereótipos contribuem para criar conflitos internos nos homens e nas mulheres e relacionais.

Três publicitárias norte-­americanas, Marian Salzman, Ira Matathia e Ann O’Reilly lançam, em 2005, o livro The Future of Men, em que anunciam a morte do “metrossexual” e criam uma nova espécie de macho, uma nova versão do príncipe encantado: o “uberssexual”. Este é mais próximo do homem tradicional e procura a recuperação de uma certa masculinidade. É vaidoso na medida certa; reconhece que precisa da mulher; é companheiro; deseja sucesso também na vida afetiva e sexual, além da profissional; não é narcisista, dentre outros predicados.

Após a chamada Revolução Sexual, ocorrida no século XX, novas configurações familiares começaram a surgir e se estabeleceram como maioria no século XXI. Pais separados que recasam, às vezes até mais de uma vez; filhos de diferentes casamentos morando juntos; monoparentalidade; parentalidade de casais homo afetivos, dentre outras. O modelo de família nuclear composta de pai e mãe casados e filhos já não é predominante.

Os preparativos para o casamento também sofreram alterações. O chá de lingerie, cuja lista de presentes fica em uma sexshop, começa a substituir o tradicional chá de panela, em que o casal ganhava utensílios de casa e cozinha antes do casamento. Os sexshops dispõem de produtos com cada vez mais tecnologia para proporcionar prazer ao homem e à mulher. Os mercados erótico e pornô estão em franca expansão.

Apetite Sexual, Gays, Casamento Gay, LGBT
Casamento Gay é aprovado em vários países.

A cerimônia de casamento não é mais financiada pelos pais da noiva. Agora os próprios noivos arcam com a despesa da celebração. Em 2001, a Holanda foi o primeiro país na Idade Contemporânea a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Atualmente, esse tipo de casamento também é legal na África do Sul, no Brasil, na Argentina, na Bélgica, no Canadá, na Espanha, na Islândia, na Noruega, em Portugal, na Suécia, na Cidade do México (México) e em alguns estados norte-­americanos.

Durante o século XXI, é combatida a violência contra as minorias: mulheres, homossexuais, profissionais do sexo etc. Nas empresas, o assédio sexual passou a ser crime.

A mais recente sigla utilizada para a diversidade sexual é a LGBTTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), ou apenas LGBT, como é utilizada no Brasil desde junho de 2008, estabelecida na I Conferência Nacional LGBT. A mudança de nomenclatura no Brasil foi realizada a fim de valorizar as lésbicas no contexto da diversidade sexual e também de aproximar o termo brasileiro com o termo predominante em várias outras culturas.

Com o reconhecimento pela comunidade médica da condição dos transexuais caracterizada pelo “transtorno da identidade sexual” ou “transtorno de identidade de gênero”, houve um aumento das cirurgias de transgenitalização ou redesignação sexual, isto é, “mudança de sexo”.

Cirurgia de Mudança de Sexo, Apetite Sexual, Gays, LGBT
Procedimento cirúrgico de mudança do sexo masculino para o feminino.

A primeira dessas cirurgias no Brasil foi realizada em 1971 e não era reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, tendo causado um processo criminal ao médico que a realizou e, também, um processo pelo Conselho Federal de Medicina. Perdendo em primeira instância, o médico foi preso, tendo sido cassado o direi­to ao exercício da Medicina.

Nas últimas décadas do século XX e início do século XXI, muitos transexuais brasileiros viajavam para o exterior para conseguir fazer a transgenitalização, pois a cirurgia era legalizada em outros países. Aqueles que não viajavam, frequentemente recorriam a cirurgiões (ou outras pessoas) que faziam a cirurgia clandestinamente, o que muitas vezes levava a graves problemas de saúde ou ao óbito.

Em 1997, o Conselho Federal de Medicina regulamenta a realização da cirurgia em caráter experi­mental em hospitais universitários brasileiros. Devido aos resultados satisfatórios alcançados, em 2008, o governo brasileiro decide, finalmente, oficializar as cirurgias de transgenitalização, implantando o “Processo Transexualizador”, por meio de seu órgão da saúde, o Sis­tema Único de Saúde (SUS).

A tendência dos re­lacionamentos no futuro é o “poliamor”, um movimento organizado com a intenção de difundir a ideia de se amar várias pessoas ao mesmo tempo, isto é, estar envolvido de modo responsável em rela­ções íntimas, profundas e eventualmente duradouras com vários parceiros simultaneamente. Nesse estilo de relacionamento, a monogamia não é mais um princípio ou uma necessidade. Esse movimento foi criado nos Estados Unidos na década de 1970.

O mundo contemporâneo tem como características básicas o individualismo e o imediatismo. São características atuais a diver­sidade, a flexibilidade, a fluidez das relações, a globalização. É, portanto, com esses traços que nossos relacionamentos ocorrem.

Apetite Sexual, Sexo Online, Sexo na Internet, Camgirls, Sexo na WebcamA internet tem alçado grande popularidade, afetando a forma de se relacionar das pessoas. Na internet, as pessoas passam seu tempo conectados em redes, porém, pode-­se questionar até que ponto há um relacionamento genuíno de pessoa a pessoa. A internet, nessa perspectiva, é ao mesmo tempo fruto do mundo líquido em que vivemos, fluido, repleto de sinais rápidos, e também serve para sa­tisfazer nosso anseio de nos relacionarmos.

A internet surpreendeu aqueles que pensavam que o avanço tecnológico eliminaria qualquer possibilidade de troca afetiva nas relações humanas. “Os solitários conheceram gente, os tímidos ganharam coragem para trocar ideias e falar de si, e muitos grupos se forma­ram. Muitos relacionamentos virtuais saem da internet e são transportados ao mundo presencial. Atualmente, discute­-se se a traição pela internet caracteriza infidelidade conjugal ou não.

O indivíduo contemporâneo é marcado pela sociabilidade moderna e tem dificuldade para registrar e en­tender o sentido de uma vida social na qual ninguém é deixado sozinho. Atualmente, a vida pessoal dos seres humanos está cada vez mais exposta, tornando-­se um projeto cada vez mais aberto a informações e influências do meio em que se vive.

Houve uma revolução ideológica na sexualidade humana a partir do momento em que o sexo deixou de ter como objetivo a reprodução e passou-­se a valorizar o prazer. Por exemplo, foram criados jogos e variações sexuais, passou­-se a valorizar a ereção relacional e a masturbação deixou de ser um tabu. Porém, muitas das antigas cren­ças e valores ainda permanecem arraigados em certas pessoas, causando conflitos.

consIderações fInaIs

O comportamento sexual, desde a Idade Antiga até a contemporaneidade, sempre foi um tema controverso e polêmico e, por isso, objeto de crenças e tabus. No curso da história, as atitudes em relação à sexualidade foram ora mais liberais, ora mais proibitivas, e estas duas posições foram se revezando ao longo do tempo. Os contextos social, econômico, político, cultural, religioso, ideológico e relacional influenciam largamente a visão de sexualidade de dado período. Pode-­se notar, pois, que algumas “verdades” foram sendo questionadas e outras foram surgindo. Porém, o comportamento sexual nunca deixou de ser um foco de discussões.

Pode-­se, portanto, refletir: quantos desses comportamentos sexuais ainda hoje aceitos e tidos como verdadeiros em nossa sociedade atual têm sua origem no pensamento antigo ou no medieval? Certamente, muito do que foi perpetuado por séculos teve origem em épocas remotas, como a visão de sexo como pecado, a valorização da virgindade, o estranhamento e/ou a condenação à homossexualidade, a supremacia do homem quanto à mulher, dentre outros. E hoje, no século XXI, muitas dessas crenças ainda permanecem no imaginário de várias pessoas.

Modificar pensamentos, mudar paradigmas, é uma tarefa lenta e gradual. E a visão da sexualidade e do sexo está incluída nesse contexto. Parece que ainda hão de vir alguns séculos para que a sexualidade deixe completamente de ser vista como pecado ou algo sujo e para que o aspecto prazeroso da questão seja enaltecido como se deve.


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